domingo, 20 de maio de 2012
...
Enfim o peso do moralismo também veio acrescentar mais á minha bagagem para o nada. Acho que está de bom tamanho. Quilos de sonhos simples e desejos banais não realizados, metade de uma vida totalmente inútil, sem ser útil a nada nem a ninguém, dias a arrastar uma carcaça que só sai do lugar pela obrigação confundida por sentimento dos "responsáveis" por mim, nenhum orgulho, alegria, nem mesmo para fazer simples companhia presto.O que ainda faltava para virar uma completa devastação aconteceu. Preciso ir embora, me subtrair desse mundo, do mundo dos outros, não tenho mais força para sentir orgulho em sobreviver num mundo isolado, pois eu não me suporto mais, atingi o limite até comigo mesma. Nem orgulho, nem mesmo a mínima vontade. Enjoei de mim, assim como acontece com todos mais cedo ou mais tarde. Pobres desses meus parentes que tem que me aguentar por sua moral cristã, ou seja lá o que for. Preciso dar um alívio a eles, a mim, um único desejo aceito e realizado. Espero uma maneira de.
segunda-feira, 26 de março de 2012
me desculpa, por enquanto
Perdoa-me, meu amor...em noites como essas, mesmo eu pegando no lápis para escrever algo bom, verdadeiro, e que me deixe feliz, não sai. Está tudo aqui, no meu coração, na minha memória, e olha que sem o gosto amargo que as coisas boas deixam na minha boca, quando lá no fundo sei que elas só me farão sofrer mais, no futuro próximo, muito próximo, em que tudo vai ruir de novo. Sei que sou uma péssima companheira quando estou longe, porque não sei mais dizer coisas bonitas, porque mal piso na minha vida e estou afundada, cheia de areia movediça na garganta. Engordei, minha pele de repente ficou péssima, cheia de espinhas, mas sem um futuro de adolescente, só a tristeza de estar velha e com a cara ainda cheia de espinhas. Sem emprego, sem dinheiro para tratamentos estéticos, cremes de beleza, maquiagem boa, emagrecimento acompanhado por endocrinologista, sem dinheiro para sair e ser vista, quem sabe me vendo as pessoas dessa cidade esnobenta me tratassem como alguém que existe e precisa ser acolhida de um modo. Não sou burra, tenho gostos até interessantes, sou sincera...mas não passo de menos de um vulto num mar de gente interessante, ou que imagino que seja. Nunca me senti parte da merda da cidade onde nasci, nunca me coube aquilo lá, mudei para a capital, não fui acolhida, fui para um meio-termo, aqui estou na mesma situação. Planejo coisas ainda, quero sair dessa, mas tudo emperra. É a turma da academia que não existe, o emprego que quase me deixou louca e estafada, a pós que nunca faço, o mês que nunca é "folgado", a vergonha da minha vida ser assim tão inferior à sua. Você atrai as pessoas, e tem uma família que te ama, te provém e tenta te compreender na medida do possível. Morro de vergonha de mim, dá vontade de inventar as coisas, maquiar tudo e deixar mais parecido com o que sonhei pra mim, mas me machucaria mentir, me machuca fingir, que se dane, não tenho mais forças para não me admitir uma completa fracassada. Tudo bem, olha só, não me acomodei com a situação, e justamente isso me machuca mais ainda, essa vontade de que tudo finalmente dê certo e eu possa pelo menos andar de cabeça erguida na rua deserta nessa cidade onde ninguem me enxerga, ninguém se lixa.
Acho que me faria bem conversar com alguém, e não precisar usar esse espaço só para choradeiras, mas estou sufocada, quando a única alternativa é ter de esperar, sempre, sempre esperar, o desespero é muito grande, porque essas esperas até hoje só deram em merda, tempo perdido.
Mas não há ninguém. Mesmo se eu não estivesse em casa, não sou boa companhia para minha mãe, com certeza eu atrapalharia as conversas dela na internet, ou mais provável, eu ficaria pior do que já estou.Ela não é o tipo de mãe muito positivista, sempre procura culpar a mim mesma meus fracassos e tristezas. Foi porque não fiz isso e pensei aquilo. Nunca, jamais, um "todo mundo erra, não fica assim". Poxa, um "não fica assim" já estava bom. Mas é minha mãe, e nunca vai mudar o pensamento.
Eu tento mudar o meu. Mas a realidade do momento me deixa com a cabeça doendo demais para pensar em algo bom sem medo, o peso é muito grande para eu apenas esperar o tempo passar e me conformar com tudo, de novo e de novo e de novo. E intensa demais para que eu consiga ficar de boca fechada em pensamento e não escrever esse lixo.
terça-feira, 6 de março de 2012
A impostora
Ela pensa que escreve. Mal anda sabendo falar, até, quem sabe, ouvir. Nunca entendia de primeiro o que mandavam-na fazer no antigo emprego. Ainda mais quando mais ordens lhe eram dadas entre o cumprimento de outras ordens, que tinha de largar imediatamente para fazer o solicitado no momento, mas jamais, jamais mesmo, deixar de fazer tudo, sem que precisassem repetir. Ou então ficaria depois do expediente fazendo o que esquecesse. Dez anos de faculdade garantiram-lhe mês e meio lutando para não esquecer as ordens. Doutora! Doutora, troque os jornais sujos. Doutora, varre a minha sala. E agora lave só com água. Doutora, leve o lixo para fora, mas antes limpe a merda e os vermes. Doutora, carregue aquele saco de 25 quilos até o carro do cavalheiro. Doutora, você é uma incompetente para tudo!
Fodeu-se a doutora. Não aguentou a loucura alheia, que já bastava a dela própria, ficou doente e deixou o emprego sem nunca ter recebido um salário inteiro, nem acertos.Pior que fraquejou, fez planos, "agora terei como ao menos ir a um show que gosto ou tomar uma cerveja na esquina, ou um café numa cafeteria lendo um livro ou rabiscando numa folha, pelo menos posso ser triste fora de casa de vez em quando, quando ela quisesse. Mas só conseguiu, de novo, fugir, como sempre fazia, mas não achava nunca um lugar e continuava a fugir, quando conseguia dormir ainda estava a fugir em algum sonho, acordava, começava o pesadelo, e nada de chegar a algum lugar. Estava ficando cansadíssima. Viver correndo não é fácil, já se sabe. A vontade é se desviar para o meio da rua e acabar lá com a correria e a procura, debaixo de algum veículo. Mas ela foge e vai correndo buscar a receita, controlada, ih, é louca, uma louca mesmo, dissera uma vez alguém que jurava amá-la, louca de ruim, porque partiu-se em mil pedaços quando não aguentou mais fugir naquele calor horrendo, naquele cidade horrível, mal tendo o que comer e dormindo no chão. Fugiu de lá e não conseguiu carregar tudo, deixou coisas preciosas para trás, livros, todos os livros, maior tristeza.
Agora, pensa que escreve. Pensa que fala, que se comunica, que dança, que se cura, que conversa, que passeia, que dorme, que descansa, que vive. Só pensa. Não passa de uma enganadora.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Não sou.
Adoro receber coisas escritas em pedaços de papel. Cartas, bilhetinhos, até listas de coisas. As vezes essas pequenas coisas, ou a falta delas, me mata e me mantém morta por várias horas.Dou uma de grande independente, de estou-pouco-ligando, mas a verdade é que tenho enorme ânsia em agradar e ser querida, e a falta de um "fique bem" numa porra de mensagem de celular me deixa triste por horas, faz-me entupir de calmantes para dormir mais depressa e dormir mais tempo, até quem sabe a tristeza passar e me vier aquela sensação de "não-era-mesmo-tão-importante-assim". Quem, eu? Não, eu não sou mesmo. Passando pelas milhões de explicações psicológicas e outras lógicas sobre porque precisamos uns dos outros, eu não sou absolutamente nada. Um amontoado de coisas para esconder o triste: o nada. Talvez isso explique a quantidade de gente ruim que tem tantas pessoas sempre a sua volta.Existe algo, mas o nada é insuportável. Melhor o mau cheiro que cheiro nenhum. E minha ânsia, minha solidão, meu amor-pra-dar" não cheira, não fede, não vale coisíssima nenhuma. Minhas mãos estendidas e meus ouvidos atentos são ridículos.
Eu trabalhei lá naquele lugar.Ninguém gostava de mim. Eu moro nessa cidade e ninguém aqui nunca vai me dar a mínima. Passei desavergonhadamente pelo estágio de mendigar atenção, plenamente consciente disso. Eu escrevi umas coisas e ninguém falou nada.Ninguém fala nada.Ando sozinha.
Eu trabalhei lá naquele lugar.Ninguém gostava de mim. Eu moro nessa cidade e ninguém aqui nunca vai me dar a mínima. Passei desavergonhadamente pelo estágio de mendigar atenção, plenamente consciente disso. Eu escrevi umas coisas e ninguém falou nada.Ninguém fala nada.Ando sozinha.
sábado, 3 de dezembro de 2011
Passa a régua, por favor!
Esse foi um dos anos que travei intimidade com mais pessoas do que o comum. Mas também o que mais levou pessoas embora da minha vida. Não deu tempo nem de se acostumar com ninguém. Passavam-se algumas semanas, raramente meses, e pronto, a pessoa virou apenas mais um nome a se contemplar de vez em quando por aí e sentir aquela dorzinha aguda lá no fundo. Os velhos amigos, distantes e cada vez mais inalcançáveis. Afinal todo mundo tem uma vida. Só eu não consegui começar a minha ainda. Então como reclamar...embora não saiba dizer se a culpa foi realmente minha...se chega sexta a noite e eu não tenho para quem ligar, nem dinheiro para sentar num bar qualquer, sozinha que seja...mesmo assim eu reclamo e me sinto só até os ossos. Estou fraca depois do muito que me levaram, e do pouco que me deixaram. Não está dando para sobreviver aqui só com isso. Além dos anos de luta e estudos e um nariz de palhaço, sem conseguir nem um emprego de um salário. Não era aqui um lugar próspero?
Pois prospera minha vontade de desaparecer da face do mundo e virar uma planta, bicho, terra, cuspe, vômito. Esvair-me em sangue da vida que existiu brevemente em mim, esvair-me até a morte. Mas acordei no hospital como se acorda de um sonho bom, doce e irrealizável. E o inferno continuou, e sem ninguém para responder ou me ensinar como ser importante, como ser insubstituível, como ser alguém que não se queira machucar, como ser alguém cuja ausência é sentida, ao menos notada. Onde estão os livros de auto-ajuda para meu caso, será possível que só exista eu nessa situação? Mulher invisível mas que é de carne bem verdadeira e dolorida na hora de se esquecer e desprezar. E sem essa de deus ainda, mais um que vier me dizer que isso é "deserto", "provação", vou sair displicentemente, não deixarei minha inteligência ser insultada novamente. Antes eu continuasse acreditando nisso, eu queria, mesmo. Um lugar para encostar e descansar o espírito, a vitória está chegando irmã. Irmã o caralho, já tive muitos irmãos, inúmeros, incontáveis, e onde estão agora? Vou te ajudar, você será outra, a vitória, a porta aberta, ah vai tomar no cu.
O que mais eu preciso passar para encerrar a conta?Nâo quero mais escrever livro, deixar nada de mim, se não se importaram por que se importariam depois? Só quero ir embora, só isso.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Tempo esgotado.
Hoje eu quase comecei um diário, tanta coisa presa na garganta. Mas um diário sobre você e todo o sufocamento que me traz agora. Sobre os tantos desejos que me sobraram abandonados no colo, na cama subitamente silenciosa, nos seus olhos que já não sei mais. Fazia muito isso antigamente. Escrevia cartas para ninguém, em que descrevia certos momentos do jeito que eu sonhava que fossem. Sonhava, mas mesmo assim inesperados. Uma coisa ridícula. Por isso parei na primeira linha. Vou ter de achar outro tipo de esparadrapo pra estancar esse sangue.
Em poucos dias você soube abrir com maestria várias cicatrizes que eu julgava serem...cicatrizes. E por muitos momentos me perdi da mulher digna e segura, indevassável, que eu fui. Que eu quero muito de volta.
Mas você não me deixa em paz.Era para ser tudo ao contrário do que é agora, como foi no começo. Eu sabia, lá no fundo, que tanta calmaria e tanta doçura só poderiam terminar numa coisa: eu devendo ao banco da vida, saldo negativíssimo. Chego a estar presa e ainda estou juntando dinheiro para a fiança, e depois enfrentarei o processo. Pensei em fugir várias vezes, porque eu não posso simplesmente fugir para longe de tudo que me machuca, bem longe dos cobradores? Porque agora tudo me machuca. Essas paredes vazias, a cortina mostarda, a poltrona no canto, o livro na cabeceira.
Inventava músicas para te encantar. Fiz filmes para te dar a chave do portão do meu mundo. Escrevi livros contando como eu adoro as coisas simples da vida. Tudo virou pó, assim, sem mais nem menos. Coisa barata, será? Ou alguém destruiu? Ainda não sei. Para isso é preciso tempo mesmo para saber.
Tanta calmaria e tanta doçura não podem ser causadas por nenhum ser humano, eu devia saber bem isso, talvez fosse menos traumático o talvez. Traumas em tempo recorde, recuperação...queria que fosse rápida. Fácil de quebrar, difícil de reconstruir.
Uma certa pureza. Um interesse fofo pelo meu mundo. Beijos que não precisavam ser pedidos e palavras escapadas que me valiam os dias. E sem perceber fui me deixando levar, pior, achei que o melhor fosse isso mesmo. Não era. Devia insistir com a amargura no jeito de ser, na dureza do coração, na suficiência de sentimentos, palavras, carinhos. Mas você, discretamente, me tirou isso tudo. Fez-me sentir falta de coisas que nem tivemos. Pegou a mulher e deixou a menina, trouxa e rasgada, no meio-fio da existência. E agora a noite os fantasmas vem aumentar minha necessidade das coisas que só podem vir de você. Infelizmente.
Queria poder te odiar por isso. Talvez um dia eu consiga, ou quem sabe, você? Agora nunca sei se meu próximo passo na sua direção vai explodir numa mina ou não. E eu odeio insegurança com todas as minhas forças. Odeio. Não suporto um minuto. Dói, lateja. Saio numa busca apressada em busca de analgésicos, ansiolíticos, morfinas, ópios, até que quando eu me der conta ela já passou. Racional, de novo. De novo o desespero pela vida e pela leveza cimentado no subsolo do subsolo da alma. Sem desejos. Liberdade.
Amor? Jamais. Não de mim, muito menos para mim. Paixão sim, ou talvez, um dia disse que estava apaixonado por mim, no outro carregava o mais profundo amor por não-eu. Quis dizer que você não sabe o que é amar. Mas não disse porque eu mesma já não sei mais.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
no new message
Nunca estive tão perdida. Pendurada entre os mundos das pessoas. Sem identidade. Sem chão.Só aquele espinhoso, onde sei que não vou mais conseguir sorrir sem um travo de amargura. Agora entendo porque estive sempre dentro de uma bolha e jamais consegui que me notassem ou que me achassem importante por algum tempo. Como Grenouille, que era desprezado por não ter cheiro, eu o sou por não ter lugar. Nunca fui criança, adolescente, adulta ou velha. Nunca fui justificada de meus erros po ser assim ou assado, nem consigo justificar os erros, as falhas, a falta de noção e as pisadas dos outros em mim, por estarem passando por isso ou aquilo. Pessoas jovens demais (sem generalizar, infelizmente, a absoluta maioria da humanidade em todas as faixas etárias é e sempre será um lixo) tratam coisas com muita maturidade, e gente mais velha que se espera que haja, ou tenha, um mínimo de senso, são destruidoramente infantis. Mas pessoas jovens demais ainda são jovens, e não dá pra se confiar nelas. Nem nos mais velhos. Eu não tenho como fugir a não ser através da morte proposital, mas isso já está arquivado por mais um tempo. Para onde ir, então, onde pousar o pensamento quando se precisa de leveza, serenidade, carinho, sem medo de levar mais uma rasteira, de ficar com mais um milhão de perguntas sem respostas, ou com respostas tão dolorosas que a gente se sente estrebuchar por dentro e a cabeça parece que vai explodir (e como eu queria que explodisse de verdade!)!
Já escrevi inúmeras vezes, como eu preciso de pouco para ficar em paz. A merda é que não consigo que esse pouco dependa totalmente de mim! Do jeito que a vida é e foi comigo, eu já deveria ter aprendido, já que não consegui morrer, a ficar em paz comigo mesma, independente da confusão que anda pelas poucas pessoas comunicáveis do meu mundinho. Mas nem me manter sozinha, nessa bosta de idade, eu consegui! Como, onde vou colocar esse desespero, quando todos resolvem ignorar a simplicidade das coisas, e atormentar, e brincar com a porra dos sentimentos querendo ou não querendo ou sabendo-que-está-brincando-mas-não-pode-fazer-nada?
Ninguém nunca pode fazer nada por mim. Se eu magôo, é imperdoável, injustificável e inesquecível. Sou podre para sempre. Se me magoam, zangam-se quando não consigo esquecer-perdoar-voltar-logo-ao-normal, mesmo fazendo muita força, mesmo morrendo de vontade de esquecer tudo a força e ser feliz e foda-se.
Caramba, eu quero ficar feliz de vez em quando! Sem surpresas desagradáveis, sem que uma palavra inoportuna ou um demônio em forma de pessoa venha estragar meu instável equilíbrio! E nada de eu conseguir fugir da loucura dos outros. Deve ser essa coisa que falta em mim que, ao mesmo tempo que faz os outros pouco ligarem, também impede que eu veja a loucura dos que me cercam imediatamente, não, eu preciso ser pisada, desprezada, deixada de lado, jogada pra escanteio ou até mesmo muito bem esclarecida com palavras duras da "realidade" (??) para perceber o que, minha mãe sempre diz, estava na cara e eu que não via.
Então, não preciso mais de identidade, não preciso ser jovem ou velha com suas peculiaridades, só preciso de uma espécie de óculos para enxergar a periculosidade das aparentes ovelhas que me aparecem, que me seduzem e me envolvem com seu balido dos infernos, e quando me levanto da grama estou cheia de picadas de insetos peçonhentos, coberta de feridas e doente por dentro. E sem nenhuma mensagem de boa noite.
Já escrevi inúmeras vezes, como eu preciso de pouco para ficar em paz. A merda é que não consigo que esse pouco dependa totalmente de mim! Do jeito que a vida é e foi comigo, eu já deveria ter aprendido, já que não consegui morrer, a ficar em paz comigo mesma, independente da confusão que anda pelas poucas pessoas comunicáveis do meu mundinho. Mas nem me manter sozinha, nessa bosta de idade, eu consegui! Como, onde vou colocar esse desespero, quando todos resolvem ignorar a simplicidade das coisas, e atormentar, e brincar com a porra dos sentimentos querendo ou não querendo ou sabendo-que-está-brincando-mas-não-pode-fazer-nada?
Ninguém nunca pode fazer nada por mim. Se eu magôo, é imperdoável, injustificável e inesquecível. Sou podre para sempre. Se me magoam, zangam-se quando não consigo esquecer-perdoar-voltar-logo-ao-normal, mesmo fazendo muita força, mesmo morrendo de vontade de esquecer tudo a força e ser feliz e foda-se.
Caramba, eu quero ficar feliz de vez em quando! Sem surpresas desagradáveis, sem que uma palavra inoportuna ou um demônio em forma de pessoa venha estragar meu instável equilíbrio! E nada de eu conseguir fugir da loucura dos outros. Deve ser essa coisa que falta em mim que, ao mesmo tempo que faz os outros pouco ligarem, também impede que eu veja a loucura dos que me cercam imediatamente, não, eu preciso ser pisada, desprezada, deixada de lado, jogada pra escanteio ou até mesmo muito bem esclarecida com palavras duras da "realidade" (??) para perceber o que, minha mãe sempre diz, estava na cara e eu que não via.
Então, não preciso mais de identidade, não preciso ser jovem ou velha com suas peculiaridades, só preciso de uma espécie de óculos para enxergar a periculosidade das aparentes ovelhas que me aparecem, que me seduzem e me envolvem com seu balido dos infernos, e quando me levanto da grama estou cheia de picadas de insetos peçonhentos, coberta de feridas e doente por dentro. E sem nenhuma mensagem de boa noite.
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