Hoje o dia passou tão rápido, sendo uma segunda...deve ter sido porque os dois últimos dias foram tão longos e cheios de sofrimento, com cada minuto esticando-se e soltando farpas que feriram e mantiveram minha amargura firme e forte. Mais pessoas que se afastam de mim por bobagem, mais momentos felizes que paguei com juros altíssimos em contrariedade e tristeza, mais pessoas que se esqueceram de mim (acho eu...é pior alguém esquecer-se da gente ou a gente ser sem graça demais mesmo?), nenhuma mudança boa que chegasse para ficar, enfim...considero mais um círculo terminado ou mais do mesmo?
Muito fácil para mim tocar um foda-se e viver por sei lá o quê. O mundo que eu visito de vez em quando em momentos desse círculo, sempre me parece tão fútil, tão montado, tão óbvio...não obstante, sinto um aperto aqui dentro quando não consigo mais uma vez penetrar nele. É aquela merda que o Erich Fromm escreveu, é essa eterna solidão da qual todos sofrem, essa consciencia de que estamos todos sozinhos e afastados de Deus (mesmo procurando, como eu faço, ou tento fazer)...a diferença é que uns tem mais sorte. Já que a única alternativa é esse mundo, temos de procurar companhia nele. Pela enésima vez gostaria de pensar como o tal sujeito Pedro Kalil, um pedantezinho aqui de BH mesmo, da famosa citação que nunca mais saiu da minha cabeça: "Me cansei do peso de ter amigos!"
Se não fosse por essa inusitada frase, eu lembraria dele como apenas mais um ser humano que achou que eu era um manequim de loja. Mas nossa, como eu queria estar "cansada do peso de ter amigos!"Ou ainda, como uma pessoa que insiste em dizer que me estima: como tem um grande apreço pela solidão, acaba se afastando dos amigos e magoando alguns mais sensíveis (adivinha quem está entre esses alguns...se é que é no plural mesmo).
Pode dividir o peso comigo, Pedro Kalil, pode desfrutar da minha solidão, caro amigo,já que gosta tanto dela; eu ajudo vocês!
Olha que amigona vocês estão perdendo, tão generosa em ajudá-los com seus problemas!
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
a arte de amar
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Marcadores: cotidiano
Domingo, 21 de Junho de 2009
O inverno chegou?
É um perfeito começo de inverno.São sete da manhã e estou com frio e sem sono. Acordei prematuramente pois fui dormir tarde, depois de ter derramado algumas lágrimas e implorado por um amanhã diferente. Eu não desisto.
Tomei um ansiolítico ainda com o último sonho que tive na cabeça, e ao contrário de dois ou três sonhos/pesadelos que tive dias atrás, que dariam roteiros razoáveis de filmes de horror, esse não daria um bom roteiro. Eu não assistiria. Eu não queria que acontecesse comigo. Eu não queria que estivesse acontecendo.
Antes de dormir li mais um trecho do livrinho sobre "como vencer a rejeição", e depois do sonho enquanto tentava em vão dormir novamente, entendi porque toda vez que saio me perco em excessos e isso só enfraquece meu espírito. É algo totalmente manejável, sair e me divertir sem passar da conta, mas essa ruína interna, esse desespero de me agarrar a momentos em que me sinto alteradamente feliz, não deixa. Por isso sempre acabo enfiando os dois pés e as duas mãos na jaca, mesmo que tudo esteja bem no começo. Deveria ter ficado em casa e seguido meu instinto que tendia para isso, que passou a tender depois da investida de minha irmã contra mim. Mas pensando que era coisa da minha cabeça e não querendo me deixar abalar (já estando abalada, tão óbvio), lá fui eu. Por isso resolvi finalmente escrever sobre...(acho que já escrevi sobre isso antes...acho que tenho certeza...) rejeição, que é o que está causando tudo isso, inclusive, agora eu percebo, os sonhos também, para "apimentar" minha já grandesíssima vida.
No sonho, não muito diferente de tantos outros, havia brigas, havia uma briga, de familiares contra mim. Não é como no passado, em que eu sonhava que estava agredindo meu pai, mas o motivo era estar magoada com ele. Eu não estou magoada com ninguém, mas nesses últimos sonhos, estão todos contra mim, ás vezes eu não sei o motivo, ás vezes parece ser algo que eu disse, ás vezes é por eu simplesmente existir.Nesse eu tive oportunidade de me aproximar da pessoa a quem eu parecia ter ofendido e que era rodeada por todos, e pedi desculpas por seja lá o que fosse. A pessoa me olhou com um misto de indiferença e desprezo. Deve ter acontecido mais alguma coisa, e logo depois acordei com peso na alma, suada e com frio ao mesmo tempo.Resolvi escrever para tentar aliviar um pouco.Engoli uns dois ansiolíticos e fui ler sobre pesadelos.
O amanhã não me traz nada novo a não ser mais uma pessoa que vai embora sem eu entender porquê, o afastamento cada vez maior do que restou da minha família,o isolamento físico, e o bloqueio de qualquer expectativa de algo bom. Não estou seguindo o conselho do livrinho. Ter expectativas boas. Minha mente está totalmente bloqueada quanto a isso. Dá certo com os outros, eu acho. Mas no meu caso, acho que tanto faz ter como não ter.E não tenho mais forças para ter, nem sei até quando terei para simplesmente deixar a vida acontecer.
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
O frio me deixa mais confusa que o normal. Justamente porque gosto desse clima e queria aproveitar mais, porque me sinto mais a vontade, mais bonita, minha maquiagem não derrete e meu cabelo não enrola. Mas esses dias de isolamento e a eterna mania de pré-sofrer nos dias que ainda virão torna qualquer possibilidade de melhora muito pequena.Basta a cada dia o seu mal, e os dias têm sido bem maus, mas eu não consigo mais pensar no futuro imediato como aguardando algum alívio para o mau estar geral em que estou.Fico pensando se devo encarar ou continuar aqui no meu isolamento.Se eu estivesse desencanada e livre já estava pensando em sair, me divertir mesmo que sozinha,beber o quanto eu quiser, dançar, ter uma atitude otimista em cima de quem me dispensou e passar por cima disso de vez. Mas eu estou congelada, como meus pés (alguém me dá uma pantufa com aquecimento?).Minha vida nunca foi de mudar nem em muitos nem em poucos dias.Vivo pedindo um presente pra Deus, uma alegria, algo que me faça sair desse marasmo mental deprimido. Mas tudo que penso está permeado pelo medo de piorar mais, e não sei o que esperar lá do céu.
Uma merda de um feriado chegando com direito a dia dos namorados e minha solidão de sempre, só falta pregarem a tampa do caixão, porque nem as coisas que gosto ando tendo vontade mais, e quando chega nesse ponto...bem, é o pior ponto a que se pode chegar.No meu caso.
pensei em sair pra beber e sentir aquela felicidade falsa, qualquer outra coisa que não seja dor, mems meu organismo penando, mesmo com a vigilancia dos porteiros, que agora avisam a minha mãe a que horas saí, a que horas cheguei, se estava embrigada (!) ou não...grande essa! Podiam me entregar um relatório pronto na portaria para eu devolver quando chegar.
Fui fazer um bolo e encostei na forma, mas fez uma ferida tão feia para uma queimadura simples!E o diacho do bolo ficou bom e minha vontade de comer doce tá voltando e eu preciso de mais da tal quitosana mesmo sabendo que ela é feita da casquinha dos camarões e crustáceos, mas é o que de mais barato encontrei pra não virar um baiacu inchado e aí não sair de casa mesmo.
Eu sou tão besta e tão previsível...eu levo um fora e mando flores. Sei que não vou aguentar ficar em casa amanhã porque sou teimosa, vou achar que algo bom vai acontecer,mas não vai, vá é dar alguma merda, vou encher a cara e me sentir horrível no outro dia. Na verdade minha vontade era enfiar os dois pés na jaca. Vai, se destrói de uma vez.Depois vê se vale a pena seguir com o resto.
Eu sou tão sem graça.Não tenho um pingo de humor!
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
All I want is sit and watch the wheels go round and round...
I'm just sitting here watching the wheels go round and round
I really love to watch them roll
No longer riding on the merry-go-round
I just had to let it go
Ele pode ter morrido cedo ou o que seja...mas estou chegando á idade em que foi morto e tudo que queria era sentir a paz, a tranquilidade, a sensação de estar simplesmente vivendo o que se pode viver de melhor depois de uma vida cheia de altos e baixos e, no caso dele, com os problemas de quem teve de lidar com fama, julgamentos e problemas que isso traz. E ainda era amado, pela família e pelos fãs que continuam a surgir mesmo depois de nascerem após sua morte.
Depois de dormir quase o dia inteiro, depois de mais momentos de fuga-desilusão-solidão, tentando dormir de novo, levantei umas três vezes procurando algum consolo em alguma coisa. E a lembrança dessa música me fez levantar para vir escrever. Da vontade que tenho de estar apenas "atching the wheels" e vivendo minha vida, sem pensar mais em toda merda que vivi e que ainda vivo, presa em coisas que não sei como sair, coisas das quais quero ser liberta, e clamo e choro por isso há anos, e carrego a angústia e a amargura de pensar que passei tanto tempo alimentando ilusões, sendo ilusão, sendo objeto, tudo, menos vivendo a MINHA vida, com minhas rodas emperradas, e eu tentando empurrar e piorando ainda mais, derrapando cada vez mais, vertendo suor e lágrimas em coisas que em nada vão contribuir para uma melhora, uma vida menos infeliz, menos fútil, mais humana, com respeito e amor verdadeiros. Estou infeliz agora, também, por querer uma vida simples, sem grandes pretensões, aliás com cada vez menos pretensões...aliás...se tornaram pretensões porque pensar nelas como coisas naturais que acabam acontecendo com todo ser humano de bom caráter (ou que ao menos faz o possível para ferir a menor quantidade de seres possível, dentro da minha confusão, nem sempre conseguindo), se tornou algo como desejar ser astronauta. E isso faz que tudo doa mais ainda.Cada dia, cada raio de sol.
Não me importaria em morrer cedo, se eu tivesse um ano, alguns meses, com esse sentimento de estar apenas watching the wheels, de finalmente encontrar um abrigo nessa vida amarga de eterna espera, de não precisar sentir o tempo todo essa desorientação, sem norte, sem perspectivas, sem esperanças. Alguns meses, e eu poderia dizer que fui feliz.
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Marcadores: cotidiano
Domingo, 17 de Maio de 2009
ans
Ontem me rendi aos "ans" disponíveis. No meu caso, apenas bromazepam e alprazolam. Li em alguma bula que grupos diferentes de ans potencializam o efeito de outros, então entrei nos bromas e tomei alguns alpras, o resultado foi ótimo, acordei ás duas da tarde e não me lembro do que sonhei.Claro, os ans destroem a memória, e a minha está arruinada, mas isso é que menos me preocupa quando o fardo que carrego está pesado demais. Só quero descansar e dormir sem medo de acordar e sentir aquele peso de novo.
Para quê me serviria a memória agora? O que é importante eu saber, para meu trabalho, eu anoto num caderno que está sempre comigo. De resto...para quê vou precisar de memória? Claro que a memória das coisas ruins, essa, não some. Esse maldito e desgraçado fardo. E se eu estivesse bem, conversando sobre o que gosto com amigos, não precisaria de ans e minha memória voltaria. Mas não estou então o mais importante é que eu durma agora.
"O tempo é que me leva, eu apenas sigo".Às vezes penso que a razão de eu ainda estar aqui é para algum dia escrever sobre como é chegar numa idade espatifada, com todas as suas lembranças te pinicando como uma coroa de espinhos e te lembrando de todos os seus complexos, fracassos, desamores, decepções, forçando minha auto-estima a se ajoelhar.E como parece impossível não se livrar disso, apesar de todas as tentativas de mudança de atitude, pensamento, campanhas de orações, livros diversos, exercicios de pensamento, prática da esperança e sei lá mais quê.
Talvez eu sofra, sinta e chore tudo de novo, mas eu já não ando fazendo isso todos os dias? Ao ver que todos continuam seguindo suas vidinhas felizes e contentes sem o menor vestígio de incômodo, enquanto eu, deixando que o tempo me leve, não consigo, mesmo tentando intensamente, mesmo tendo ganhado rugas antes do tempo por causa disso. E nada muda. Todos continuam vivos e bem, não só no presente como no passado, machucando, magoando, pisando, tirando meu sono, me deixando perplexa, sem a famosa cura do tempo e sem ver a Justiça Divina.
Se eu conseguir mesmo reunir toda essa baboseira e cuspir para o mundo, me sentirei melhor?
Fassbinder era um cinesta que punha a alma nos filmes. Suicidou-se, não me recordo a data agora.
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Quem sabe por osmose...
O maior exemplo d desapego vem das abelhas. Após construírem a colméia abandonam-na. E ñ a deixam morta em ruínas mas viva e repleta d alimento. Tdo mel q fabricaram além do q necessitavam é deixado. Batem asas p/ a próxima morada s/ olhar p/ trás. Num ato incomum abandonam tdo o q levaram a vida p/ construir. Simplesmente o soltam s/ preocupação se vai p/ outro. Deixam o melhor q têm, seja p/ quem for - o q é muito diferente de doar o q ñ tem valor ou dirigir a doação p/ alguém d nossa preferência.
Se queremos ser livres, parar de sofrer pelo q temos e pelo que ñ temos, devemos abrigar 1 único desejo: o d nos transformar. Assim, qdo alguém ou algo tem d sair de nossa vida, ñ alimentamos a ilusão da perda.
Sofrimento vem da fixação a algo ou a alguém. Apego embaça o q deveria estar claro: por trás d 1 pretensa perda está o ensinamento d q algo melhor p/ nosso crescimento precisa entrar. Se ñ abrimos mão do velho como pode haver espaço p/ o novo?
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Terça-feira, 12 de Maio de 2009
S.ame O.ld S.hit
Se for para ser julgada de novo e de novo e de novo...
prefiro mil vezes ficar sozinha
estou cansada...
Postado por Vulnavia Phibes às 15:59 2 comentários Links para esta postagem















